No período compreendido entre 5 de Janeiro e 5 de Março do ano de 2009, um grupo de estudantes de diversas universidades de Angola deslocou-se a República Federativa do Brasil com o objectivo de frequentar estágios em diversas áreas do conhecimento.
Os estudantes beneficiaram de estágios em diversas universidades Brasileiras fruto de um convénio entre a Secretária de estado para o ensino superior de Angola e a Capes/MEC (Organismo brasileiro que organiza intercâmbios entre universidades brasileiras e universidades espalhadas pelo mundo).
Este relatório é pertença do grupo de estudantes que se deslocou para o estado de Minas Gerais, cidade de Diamantina e frequentou estágios na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (Ufvjm).
São aqui descritas de forma resumida as principais actividades realizadas pelos estudantes durante este período, e vêem anexados a este relatório cópias dos certificados atribuídos aos estudantes que frequentaram esta formação na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
6 de Janeiro de 2009- Os estudantes Angolanos foram recebidos pela Assessora para os assuntos internacionais da Ufvjm, Professora Mabel Cordini e por um grupo de estudantes Moçambicanos que se deslocara ao Brasil pelas mesmas razões.
7 de Janeiro de 2009 – Realizou-se uma reunião na Ufvjm com a assessora para os assuntos internacionais ( pessoa encarregue de velar pela nossa estadia em Diamantina) onde mereceram destaques os seguintes pontos:
1) Entrega do subsidio de estadia e alimentação referente ao mês de Janeiro. Este subsídio tinha o valor de 900 Reais (cerca de 390 USD).
2) Estabelecimento de um contrato com um restaurante para que os estudantes tomassem as refeições.
3) Cedência de uma sala de informática para que os estudantes pudessem entrar em contacto com os seus familiares pela Internet, assim como usa-la como meio de auxílio as suas pesquisas.
4) Informação sobre um serviço de saúde equivalente a um seguro de saúde para os estudantes denominado SUS (serviço único de saúde).
5) Enquadramentos de certos estudantes que não se encontravam nas suas áreas de especialidade.
6) Cadastramento dos estudantes no site da universidade.
8 de Janeiro de 2009 - Deslocamo-nos a um posto de saúde a fim de tratar do cartão SUS juntamente com os estudantes de Moçambique.
9 de Janeiro de 2009-Fez-se uma visita ao campus 2 da Ufvjm, onde fomos informados sobre as obras de ampliação do mesmo e tivemos a oportunidade de visitar a sua biblioteca.
12 de Janeiro de 2009-Os estudantes foram apresentados aos seus orientadores numa reunião organizada na reitoria da Ufvjm .Neste encontro cada estudante teve conhecimento da linha de pesquisa que havia de seguir dentro daquilo que é a sua área de especialidade.
Os trabalhos tiveram início no dia 13 de Janeiro e cada orientador definiu quais seriam as actividades a realizar até a data do nosso regresso a Angola.
No período de 14 de a 17 de Janeiro tivemos aulas de iniciação científica; essas aulas visavam dotar-nos de conhecimentos sobre as normas brasileiras para realização de projectos de pesquisa científica. Desta data em diante, os estudantes tiveram as suas actividades em separado tendo a destacar simplesmente a ida deste a Policia federal de Belo Horizonte a fim de fazer o registro de estudantes como havia sido recomendado em Angola pela Embaixada do Brasil.
30 de Janeiro de 2009-Um grupo de 17 estudantes Africanos (Angolanos e Moçambicanos) que se encontrava em Diamantina dirigiu-se a Policia Federal de Belo Horizonte para fazer o registro de estudante estrangeiro, infelizmente, três (3) estudantes Angolanos foram impedidos de forma “grotesca” de fazer o registro, pelo facto de apresentarem os nomes dos seus pais de forma abreviada. Os agentes Federais deram a indicação de que estes deviam deslocar-se ao consulado de Angola em Brasília, a fim de obter uma declaração com os nomes dos pais em extenso. Os estudantes prontamente informaram a assessora de assuntos internacionais (Professora Mabel Cordini) sobre o sucedido.
A Professora a cima citada informou o consulado de Angola em Brasília e recebeu instruções de como proceder para resolver o problema. Os estudantes tiveram de escrever uma carta explicando o sucedido e enviaram-na ao consulado de Angola; o consulado demorou algum tempo a enviar as declarações, impossibilitando a ida a Belo horizonte nos dias que se seguiram.
Só no dia 11 de Fevereiro os estudantes receberam via e-mail as declarações do consulado de Angola. Estes prontamente no dia seguinte deslocaram-se a polícia federal de Belo Horizonte para efectuar o registro, mas infelizmente dois estudantes foram autuados pela polícia federal com uma multa no valor de R$57,94 (cinquenta e sete reais e noventa e quatro centavos). Os estudantes são:
ü Edgar dos Santos Paca
ü Michel do Nascimento Vaz Teixeira
Os dois estudantes que foram multados chegaram ao Brasil no dia 5 de Janeiro de 2009, e deviam ter se registrado no dia 5 de Fevereiro de 2009; devido a demora dos documentos estes excederam 7 dias. Os nomes vieram abreviados de Angola e nada foi informado aos estudantes pela Embaixada do Brasil em Luanda sobre a existência de algum problema pelo facto dos nomes estarem abreviados.
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No dia 4 de Fevereiro de 2009, os estudantes haviam agendado um almoço de confraternização em alusão ao início da luta armada em Angola, mas este viu-se adiado para uma outra data anterior ao nosso retorno á Angola. Houve uma simples comemoração com os estudantes de Moçambique.
De 14 a 17 de Fevereiro foi-nos dado um novo curso para realização de relatórios segundo as normas brasileiras pela professora Tânia Riul (docente da Ufvjm).
No período de 20 a 26 de Fevereiro de 2009, houve um interregno nos trabalhos devido ao Carnaval; este período foi considerado período de folga para os estudantes – mas estes em momento nenhum assim o consideraram porque tinham de terminar os seus relatórios até ao dia 2 de Março de 2009 – e para os seus respectivos orientadores.
3 de Março de 2009- Realizou-se a actividade prevista anteriormente para o dia 4 de Fevereiro; nesta actividade fez-se uma apresentação sobre Angola. Os destaques foram os aspectos geográficos (localização no continente, superfície, divisão politica e administrativa, etc.), História de Angola, aspectos culturais, Economia, Recursos Minerais, etc. A seguir a apresentação os estudantes de Angola e Moçambique apresentaram os relatórios dos seus trabalhos em forma de painel ao público presente (estes foram muito elogiados e muita gente demonstrou vontade de vir conhecer o nosso país).
As 14 horas locais (10 em Angola) do dia 4 de Março de 2009, os estudantes Angolanos saíram da cidade de Diamantina com destino a capital do estado de Minas Gerais (Belo Horizonte) e aí pernoitaram. Na manhã do dia seguinte apanharam um voo com destino ao Rio de Janeiro onde mais tarde (19 horas locais) embarcariam para Angola num voo da TAAG.
No dia 6 de Março de 2009, pelas 6 horas da manhã - hora de Angola - aterramos no aeroporto internacional 4 de Fevereiro terminando assim as nossas actividades.
AGRADECIMENTOS
Antes de tudo gostaríamos de agradecer a Deus pela força e pela luz que nos deu, aos nossos familiares pelo carinho e apoio, a Secretária de estado para o ensino superior na pessoa do senhor Adão do Nascimento por ter tornado possível este intercâmbio com Universidades brasileiras, agradecemos também ao senhor Eugénio, ao senhor Kafala e a Dona Preciosa pelos sacrifícios que por nós fizeram.
Gostaríamos de agradecer a Universidade Agostinho Neto (Faculdade de Ciências, Faculdade de Letras e Ciências Sociais, Instituto superior de Enfermagem e a Faculdade de Medicina), a Universidade Católica de Angola, e a Universidade Jean Piaget de Angola.
Agradecemos ao organismo brasileiro responsável pelo intercâmbio (Capes), a Reitoria da UFVJM, e a todos que de forma directa ou indirecta contribuíram para que este intercâmbio fosse uma realidade.
Não podíamos deixar de agradecer também aos colegas Moçambicanos que conviveram connosco durante estes 2 (dois) meses.
Notas Finais
Os estudantes ganharam muito em termos de conhecimento científico, assim como passaram a saber mais sobre a cultura dos países envolvidos neste intercâmbio (Angola, Brasil e Moçambique), e fruto desta interacção, laços de amizade foram estabelecidos e reforçados entre estes povos irmãos; por estes e outros motivos esperamos que mais actividades do género se realizem, entretanto, recomenda-se o seguinte:
Que os órgãos responsáveis por actividades como estas estabeleçam contacto com as Universidades para onde se deslocam os estudantes Angolanos de modos a acompanharem mais de perto o desenrolar das actividades.
Que os estudantes sejam subsidiados ao sair do país – Situação que aconteceu por exemplo com os estudantes Moçambicanos – evitando que estes passem por dificuldades ao chegar ao país de destino, pois muitos chegam a viajar com escassos recursos.
Que as Embaixadas e consulados de Angola sejam sempre avisados da chegada de estudantes Angolanos ao país de destino.
Que se indiquem pessoas para acompanhar os processos burocráticos onde estejam envolvidos os estudantes (por exemplo junto da policia).
Que se dê o máximo de informação possível aos estudantes sobre as actividades a desenvolver, e que estes sejam enquadrados em áreas ligadas a sua formação, evitando casos como de alguns estudantes que fizeram trabalhos que pouco ou nada tinham a ver com a sua área de formação.
Que este intercâmbio seja cada vez mais frequente, não só ao nível de Licenciatura mas que se possa estender ao nível do Mestrado e ao Doutoramento.